Subitamente, com um relâmpago de júbilo, o inspector Cardeira lembrou-se que tinha de marcar encontro com Paloma Gutierrez, a universitária mais bela de todas as universitárias do mundo e, digamos dos arredores planetários. Perdera-se de amores fulgurantes por ela há três anos, numa data que comemoravam com presentes e juras eternas de uma paixão m chamas: 13 de Outubro de 2013. E se houvesse disponibilidade da parte dele, a data era comemorada num motel em com muito sexo inspirado no Kamasutra. Impedido por uma investigação fora de Braga, há uma semana que não desfrutava da amantíssima Paloma. Esta ressaca de amor provocava-lhe delírios de angústia.
Os toques insistentes no seu smartphone, deixado a carregar fora da porta do coté onde dormia não eram dela porque tinha selecionado para Paloma o Only You, uma canção romântica dos tempos da Maria Cachucha mas que para ele representava a alegoria dos seus sentimentos.
Já não se tratava de uma - mais uma - aventura com a duração de um gemido de amor, ou mais um corpo para fazer refulgir e reforçar a sua auto estima de macho impulsivo. Transtornado de uma paixão tão típica numa idade de amadurecimento, desejava que Paloma fosse a sua companheira até ao final da vida, apesar da diferença de idades. Nem um nem outro pensavam nisso.
Animado pelo pensamento na sua incandescente paixão, Cardeira aprestou-se a entrar no mundo real. A voz que soara para lá da porta do coté, capaz de lhe virar os fígados, era a de Josefina José, esposa que ele não queria ver nem pintada com as cores do paraíso. Vinte anos de casamento, uma relação que se foi degradando imparavelmente. Ela porque vivia para o trabalho como gerente de uma agência bancária, uma obsessão laboral sem fim como se temesse o monstro da inactividade. Ele porque jamais resistira aos encantos de uma bela fêmea. Conhecera algumas, fornicara-as com honestidade e fervor, mas não conseguia satisfazer o seu desejo de posse e novidade. Voltava-se para outras, de aletas atiçadas pelas feromonas femininas, resfolgando de excitação. Sem um vislumbre de remorso.
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